Do Boombox ao Estúdio de Quarto: Seu Guia Sem Esnobismo para Hip-Hop & R&B
Você não precisa de contrato com gravadora, de um microfone caro, nem de um primo que conhece alguém. Você só precisa de um pouco de ritmo, muita curiosidade e a disposição de soar meio mal antes de soar bem. O hip hop e o R&B são dois dos universos musicais mais acolhedores do planeta porque foram construídos por pessoas que não tinham nada além de ideias e a coragem de experimentá-las em voz alta.
Eis o que as pessoas entendem errado sobre a história que os fãs de hip hop ainda debatem: não começou como um gênero, começou como um truque de festa. Nos anos 1970, no Bronx, DJs como Kool Herc perceberam que os dançarinos iam à loucura durante os trechos instrumentais dos discos de funk e soul. Então ele começou a repetir esses trechos em loop com dois toca-discos e, de repente, a pista de dança ganhou um batimento cardíaco. Esse batimento virou o hip hop. Mais ou menos na mesma época, o R&B também amadurecia, passando das canções de amor suaves da Motown para algo mais suado e pessoal, com artistas como Marvin Gaye e Stevie Wonder expandindo o que um groove podia expressar. Os dois estilos vêm flertando desde então, trocando levadas de bateria, melismas vocais e energia de madrugada.
Se você quer fazer beats de hip hop, comece pequeno e pare de mirar a perfeição. Abra qualquer software de beats que você tiver, coloque o andamento em algum lugar entre 75 e 95 batidas por minuto e programe primeiro um bumbo e uma caixa. Essa relação entre bumbo e caixa é a espinha dorsal. Depois adicione um padrão de chimbal com um pouco de swing, porque chimbal reto soa robótico e sem vida. Quando a bateria estiver batendo forte, você pode sobrepor um sample recortado, uma linha de baixo simples ou uma pequena melodia sombria. As melhores músicas de hip hop não são as que têm mais sons empilhados. São aquelas em que cada som tem espaço para respirar. Ouça “The Message”, de Grandmaster Flash and the Furious Five, ou “Juicy”, de Biggie, ou “C.R.E.A.M.”, do Wu-Tang Clan. Cada beat é quase enganosamente simples, mas o groove é tão profundo que você poderia cair nele e nunca mais sair.
Quando você sentar para escrever letras de rap, não tente soar como seu rapper favorito. Tente soar como você mesmo depois de três xícaras de café. Comece com uma frase que só você diria, algo estranho e específico, como “Deixei meu carregador em um carro que não é meu”. Depois conte as sílabas. Rap é apenas poesia que precisa caber dentro de uma grade de bumbos e caixas. Se você escrever uma frase longa demais, corte as palavras fracas. Curta demais? Acrescente uma rima interna ou uma respiração. O segredo para aprender rap não é fazer rap rápido. É fazer rap com clareza. Grave-se no celular, ouça de volta e sinta uma leve vergonha. Depois faça de novo amanhã. Você vai começar a ouvir sua própria cadência surgir, e é isso que vale ouro.
Se sua voz tende mais para o melódico, as dicas de canto R&B geralmente se resumem a uma coisa: pare de forçar tanto. A maioria dos iniciantes acha que potência significa gritar pela garganta, mas a verdadeira potência no R&B vem do apoio da respiração e do controle relaxado. Experimente isto: coloque a mão no estômago, inspire lentamente e sinta a barriga expandir. Agora cante uma nota simples em “mmm” e deixe o ar sair sem apertar o pescoço. Esse é o seu timbre natural. Riffs e melismas parecem impressionantes, mas são apenas padrões rápidos construídos sobre essa respiração constante. Comece com um melisma de três notas e acelere gradualmente. E, por favor, pelo amor de tudo o que é sedoso, não tente copiar cada melisma do seu cantor favorito nota por nota. Os ouvintes de R&B percebem quando você está sentindo a letra e quando está apenas fazendo acrobacias vocais para esconder a falta de sentimento.
A mesma honestidade se aplica quando você produz R&B. Primeiro, monte uma progressão de acordes no teclado ou na guitarra, algo quente com acordes de sétima e nona. Depois, construa a bateria em torno dos vocais, e não o contrário. A bateria de R&B costuma ser menos agressiva que a de hip hop, com bumbos mais suaves, caixas com escovinhas e mais espaço para a voz ficar na frente e no centro. A reverberação (reverb) e o atraso (delay) são seus amigos, mas use-os como perfume, não como mangueira de incêndio. Você quer que o cantor se sinta perto, como se estivesse sussurrando no seu ouvido, não gritando do fundo de uma catedral.
E olha, não dá para fal











